Regras do Jiu-Jitsu 2026: guia completo IBJJF e CBJJ em português

As regras de jiu-jitsu em vigor em 2026 são as do Livro de Regras IBJJF v6.0, de junho de 2024, adotado igualmente pela CBJJ. Ele define sete posições que pontuam (montada, montada pelas costas e pegada pelas costas valem 4 pontos; passagem de guarda vale 3; queda, raspagem e joelho na barriga valem 2), exige 3 segundos de estabilização para qualquer marcação, fixa o tempo de luta por faixa (de 5 minutos na branca adulta a 10 minutos na preta adulta) e restringe golpes por idade e graduação numa tabela de seis categorias.
Este guia traduz o regulamento para a linguagem de quem vai competir. Tudo aqui foi conferido no Manual de Regras da CBJJ em português e no livro de regras da IBJJF. Onde a fonte oficial não permite afirmação categórica, o texto diz isso em vez de inventar um número. Última atualização: 6 de agosto de 2026.
O que você vai ver neste post
- Pontuação, vantagens e punições
- Tempo de luta por faixa e por categoria
- Golpes proibidos por faixa e por idade
- Regras específicas do No-Gi
- Kimono, uniforme e reprovação na inspeção
- O que está em vigor em 2026
- Perguntas frequentes
Pontuação, vantagens e punições
Antes da tabela, a premissa que explica quase toda decisão estranha que você já viu num campeonato: pelo Artigo 3º, a luta deve seguir uma sequência crescente de domínio técnico em direção à finalização. É por causa dela que quem abandona voluntariamente uma posição já pontuada para repeti-la não recebe os pontos de novo, e que existe punição por falta de combatividade. O placar não premia movimento, premia progressão.
A segunda premissa é o tempo. Nenhuma posição vale nada antes de 3 segundos de estabilização, e a contagem é interrompida se o adversário encaixar uma finalização. Nesse caso o atleta que chegou às posições recebe uma vantagem por cada uma; se não se livrou do ataque até o fim da luta, recebe apenas uma no total.
| Posição | Pontos |
|---|---|
| Montada | 4 |
| Montada pelas costas | 4 |
| Pegada pelas costas (calcanhares na parte interna das coxas) | 4 |
| Passagem de guarda | 3 |
| Queda | 2 |
| Raspagem | 2 |
| Joelho na barriga | 2 |
Pontos são cumulativos quando a sequência é contínua. Se você passa a guarda e monta sem perder o controle, os 3 segundos de domínio da montada valem também pela passagem, e o árbitro marca 7 pontos de uma vez. Posição por posição, o guia de pontuação no jiu-jitsu cobre cada caso, e a análise de quantos pontos vale a passagem de guarda trata do erro mais comum.
A vantagem entra quando o atleta chega a uma posição passível de pontuação mas não sustenta o domínio, quando executa quase completamente o movimento levando perigo real ao adversário, ou quando tenta uma finalização que exponha o oponente ao risco real de desistência. O critério é do árbitro, que pode marcá-la até depois do fim do tempo.
As punições seguem uma escada fixa, e é aqui que muita luta é perdida sem que o atleta perceba. Para faltas graves, o Artigo 7º determina:
- Primeira falta: marcação da punição no placar.
- Segunda falta: uma vantagem para o adversário, mais a punição no placar.
- Terceira falta: dois pontos para o adversário, mais a punição no placar.
- Quarta falta: desclassificação.
Duas observações pesam. Faltas graves e faltas por falta de combatividade somam no mesmo placar. E nas categorias até 15 anos a escada é mais longa: na quarta e na quinta falta o oponente ganha dois pontos em cada uma, e a desclassificação só vem na sexta. O desempate, por sua vez, obedece a esta ordem: mais pontos vence; empatado, vence quem tem mais vantagens; depois, quem tem menos punições; empatado em tudo, decisão do árbitro, que aponta quem foi mais ofensivo.
Falta de combatividade tem gatilho de 20 segundos: o árbitro conta, faz o gesto e dá o comando "Lute". Perceber que você acumula punições sempre nas mesmas situações é diagnóstico, não azar. É o padrão que aparece quando você desenha seu jogo como fluxograma no editor visual do GamePlan BJJ: os pontos onde o seu mapa não tem saída são os mesmos onde o árbitro conta os 20 segundos.
Tempo de luta por faixa e por categoria
Esta é a tabela do Artigo 1º do Regulamento Geral de Competições. A categoria é definida pela idade que o atleta completa no ano do campeonato, e no adulto e no master não existe limite máximo, apenas mínimo.
| Categoria | Idade | Tempo regulamentar |
|---|---|---|
| Pré-Mirim I, II e III | 4 a 6 anos | 2 minutos |
| Mirim I, II e III | 7 a 9 anos | 3 minutos |
| Infantil I, II e III | 10 a 12 anos | 4 minutos |
| Infanto-Juvenil I, II e III | 13 a 15 anos | 4 minutos |
| Juvenil I e II | 16 e 17 anos | 5 minutos |
| Adulto | 18 anos ou mais | 5 min branca, 6 min azul, 7 min roxa, 8 min marrom, 10 min preta |
| Master 1 | 30 anos ou mais | 5 min branca e azul, 6 min roxa, marrom e preta |
| Master 2 a 7 | 36, 41, 46, 51, 56 e 61 anos ou mais | 5 minutos |
A leitura prática é direta: a faixa preta adulta luta o dobro do tempo da branca adulta, e dez minutos mudam a economia da luta. Um jogo construído para durar cinco minutos costuma quebrar aos sete, e é por isso que quem sobe de faixa precisa revisar o plano, não só o repertório. Se você está nessa transição, vale conferir como funciona a graduação e quanto tempo se leva em cada faixa. O regulamento fixa ainda o descanso mínimo entre lutas: até a semifinal, igual ao tempo regulamentar da categoria; antes da final, o dobro.
Golpes proibidos por faixa e por idade
Esta é a dúvida número um de quem vai competir e onde mais circula informação errada. A tabela oficial de golpes restritos lista 26 técnicas distribuídas em seis colunas de categoria:
- 4 a 12 anos
- 13 a 15 anos
- 16 e 17 anos (todas as faixas) e faixa branca, do adulto ao Master 7
- Adulto a Master 7, faixas azul e roxa
- Adulto a Master 7, faixas marrom e preta, exceto Sem Kimono
- Adultos faixas marrom e preta, Sem Kimono
A lógica é progressiva: quanto mais nova a categoria e menos graduada a faixa, maior a lista de restrições, e a liberdade técnica máxima está na última coluna. Como o cruzamento entre técnica e coluna é uma grade visual, a única leitura confiável é a do documento oficial: consulte o pôster Faltas Técnicas e Movimentos Ilegais da CBJJ antes de se inscrever numa categoria nova.
Três pontos, porém, estão escritos em texto no regulamento e podem ser afirmados sem dúvida.
Chaves de calcanhar. A chave de calcanhar é permitida somente na sexta coluna, adulto faixa marrom e preta sem kimono. Ela segue proibida em todas as divisões com kimono, em qualquer faixa, e no No-Gi para qualquer graduação abaixo da marrom. A liberação vigora desde 1º de janeiro de 2021, como registrou a Graciemag na época do anúncio.
Cruzada de perna. O regulamento define a cruzada pela posição do pé em relação ao corpo do adversário. Quando o pé passa da linha mediana vertical do corpo do oponente, é falta grave: o árbitro para o combate, devolve os atletas à posição permitida e pune o infrator. Quando passa do limite vertical do corpo, é falta gravíssima, com desclassificação, o mesmo valendo para quem cruza a perna enquanto qualquer um dos dois está com finalização encaixada. Marrons e pretas têm exceção na 50/50, quando um atleta se levanta e o pé antes solto passa a ser considerado preso: aí o árbitro não interrompe e ninguém é punido.
Salto para a guarda. Pular para colocar o adversário que está em pé na guarda fechada é falta grave em todas as faixas até 15 anos e para a faixa branca em qualquer idade, do adulto ao Master 7. A proibição inclui qualquer ataque iniciado pulando, como triângulo voador e armlock voador, e o árbitro reinicia a luta em pé. Se o salto acontece na defesa de uma queda ou raspagem, além da punição o adversário ganha dois pontos.
Nenhuma tabela substitui a orientação do seu professor sobre o que você tem condição de aplicar com segurança. O regulamento diz o que é permitido; quem diz o que está pronto é quem te vê treinar todo dia.
Regras específicas do No-Gi
A modalidade sem kimono compartilha toda a tabela de pontuação, os tempos de luta e a escada de punições com a modalidade com kimono. As diferenças estão em três frentes.
A primeira é a pegada: qualquer pegada no próprio uniforme ou no do adversário é falta grave. Agarrar a barra da camisa para segurar uma passagem entra na mesma escada de punições que fuga da área de luta. A segunda é o estrangulamento com as mãos: circundar o pescoço do adversário com uma ou as duas mãos, ou usar o polegar para pressionar a glote, é falta, assim como tapar o nariz ou a boca do oponente.
A terceira é a já citada liberação de ataques de perna para adulto marrom e preta, que existe apenas nesta modalidade. Na prática, o mesmo atleta tem dois jogos distintos, e a transição entre eles não é automática: se você compete nas duas, o mapa do seu jogo precisa marcar quais rotas deixam de existir quando o kimono sai. Um alerta fecha a seção: falta disciplinar na competição com kimono desclassifica também da competição sem kimono.
Kimono, uniforme e reprovação na inspeção
A inspeção reprova mais atleta do que se imagina, quase sempre por medida, não por sujeira. Cada competidor tem direito a três inspeções; se o uniforme não passar nesse limite, ele não compete. As medidas conferidas pelo fiscal:
- Gola: espessura máxima de 1,3 cm e largura máxima de 5 cm.
- Manga: folga mínima de 7 cm em toda a extensão, e comprimento que chegue a no máximo 2 cm do punho com os braços esticados à frente.
- Calça: largura de 7 cm e comprimento que fique no mínimo 2 cm acima do maléolo tibial, o osso do tornozelo.
- Faixa: de 4 a 5 cm de largura, com cada ponta entre 20 cm e 30 cm depois do nó duplo.
O kimono precisa ser inteiramente branco, azul royal ou preto, sem combinação de cores entre paletó, calça e gola, e o tecido trançado é obrigatório no juvenil, adulto e master. Não são aceitos uniformes com remendos, rasgos, molhados, sujos ou com odor. Depois da pesagem o atleta não pode trocar de kimono para a primeira luta, sob pena de desclassificação; a partir da segunda, a troca exige nova checagem de medidas.
Duas exigências geram desclassificação sumária por falta gravíssima: roupa de baixo é obrigatória em todas as competições, com kimono ou sem, no modelo box ou sunga; e é vetado qualquer creme, óleo, gel ou substância escorregadia no corpo, que deixe o kimono escorregadio, ou que aumente a aderência. Também não passam anéis, brincos, piercings, relógios, pulseiras, tornozeleiras, sapatilhas, protetores de orelha, grampos de cabelo, coquilha e óculos, mesmo os esportivos. Joelheiras e cotoveleiras são liberadas se não aumentarem o volume do corpo a ponto de dificultar a pegada.
O que está em vigor em 2026
Aqui vale uma resposta honesta: a busca por "regras IBJJF 2026" sugere que exista uma edição nova do regulamento a cada ano, e não existe. O documento vigente em 2026 continua sendo o Livro de Regras v6.0, de junho de 2024, com o Guia de Atualização cujas alterações passaram a valer em 1º de janeiro de 2024. Até esta publicação, nenhuma edição posterior foi divulgada pela IBJJF ou pela CBJJ. As mudanças daquela revisão que seguem valendo:
- Guarda 50/50. Pegada na lapela ou na faixa dentro da 50/50 dá 20 segundos para progredir antes da punição por falta de combatividade.
- Desclassificação cruzada. Falta disciplinar na competição com kimono desclassifica também da competição sem kimono.
- Higiene. Desclassificação para quem usar pintura no cabelo ou maquiagem no rosto que suje o kimono do adversário.
- Graduação. A partir da promoção, o atleta não compete mais na faixa anterior, salvo se for promovido a uma faixa cujo pré-requisito de idade ainda não cumpre.
O melhor hábito, porém, não é decorar versão de regulamento, é conferir o edital. O Artigo 7º do Regulamento Geral é explícito: o edital de cada competição se sobrepõe ao regulamento geral quando necessário.
Regra decorada não vira estratégia sozinha. O que transforma o regulamento em vantagem é enxergar onde ele encaixa no seu jogo: qual sequência sua rende 7 pontos, em que ponto do fluxo você acumula punição, quais rotas somem quando o kimono sai. Montar esse mapa e treinar a reação do adversário antes de precisar dela é o que o GamePlan BJJ faz. Ele não substitui o professor nem o tatame: organiza o que você aprendeu na aula para que a próxima pergunta ao seu professor seja mais precisa.
Perguntas frequentes
Quais são as regras do jiu-jitsu para faixa branca?
A faixa branca segue a mesma tabela de pontuação e a mesma escada de punições das demais faixas, com duas diferenças. O tempo de luta no adulto é de 5 minutos, o menor entre as faixas. E a lista de golpes restritos é maior: pular para a guarda fechada é falta grave para faixa branca em qualquer idade, incluindo triângulo voador e armlock voador, com a luta reiniciada em pé.
A chave de calcanhar é permitida na IBJJF?
Somente para atletas adultos faixa marrom e preta na modalidade sem kimono. A chave de calcanhar segue proibida em todas as divisões com kimono, independentemente da faixa, e no No-Gi para qualquer graduação abaixo da marrom. A liberação está em vigor desde 1º de janeiro de 2021.
Quanto tempo dura uma luta de jiu-jitsu por faixa?
No adulto, 5 minutos na faixa branca, 6 na azul, 7 na roxa, 8 na marrom e 10 na preta. No Master 1, são 5 minutos para branca e azul e 6 minutos para roxa, marrom e preta. Do Master 2 ao Master 7, todas as faixas lutam 5 minutos.
O que muda nas regras da competição de jiu-jitsu sem kimono?
A pontuação, os tempos de luta e a escada de punições são idênticos. Muda que qualquer pegada no próprio uniforme ou no do adversário vira falta grave, que estrangular circundando o pescoço com as mãos ou pressionando a glote é falta, e que ataques de perna como a chave de calcanhar ficam liberados só para adultos marrom e preta.
Onde encontro as regras da IBJJF em português e em PDF?
No site da CBJJ, na seção de livros e vídeos, estão disponíveis em português e em PDF o Manual de Regras v6.0, o Guia de Atualização das Regras e o pôster de Faltas Técnicas e Movimentos Ilegais. A IBJJF publica os mesmos documentos em inglês na sua própria seção de livros e vídeos.


